O velho e conhecido ditado que diz que “o barato sai caro” nunca deixa de estar na moda. A facilidade de adquirir produtos de diversos tipos por preços mais acessíveis desperta a curiosidade de muita gente. Não é à toa que o mercado de produtos falsificados movimenta bilhões ao redor do mundo. E praticamente nenhum tipo de nicho de produto está imune a esse tipo de problema — nem mesmo o mercado de artigos esportivos. 

Nos últimos anos, o ramo do ciclismo tem sido constantemente alvo de falsificações que não envolvem somente a estética de itens e acessórios para bicicleta como também colocam em risco a saúde e a segurança de quem os utiliza. 

Neste post, vamos entender quais são os principais perigos de pagar mais barato por artigos esportivos — que, na teoria, deveriam auxiliar na prática do ciclismo — e como conseguir identificar os produtos falsificados. 

Preço x qualidade

Guidões, quadros, canotes, óculos, tênis, camisas e até bicicletas completas — o mercado de produtos falsificados parece não ter limites para angariar novos consumidores ao redor do mundo. Em busca de itens e acessórios para bicicletas que prometem um grande aumento de desempenho, estética e conforto, compradores se deixam levar por preços abaixo do praticado e, com isso, colocam a saúde em risco. 

Normalmente fabricados em países como China e Índia, com mão de obra barata e sem controle de qualidade, esses equipamentos esportivos chegam a países ao redor do mundo sem pagar tributos ou impostos regulares — o que favorece ainda mais a possibilidade de comercialização a baixo custo. 

A compensação financeira, no entanto, é perdida quando esses itens não duram muito tempo e provocam prejuízos de outras formas. 

Controle de qualidade 

Os grandes fabricantes do mundo todo demoram anos para colocar um novo produto no mercado. Isso porque, antes de serem vendidos, são realizados dezenas de testes em laboratórios que verificam a resistência e a eficácia dos materiais utilizados. Em contrapartida, os produtos falsificados não possuem esse tipo de cuidado. Em busca de oferecer apenas um serviço com identidade visual parecida a das marcas renomadas, os falsificadores não possuem preocupação com os requisitos das normas internacionais de segurança. 

Grandes marcas de acessórios para ciclismo, como Ritchey, FSA e Thomson, são umas das principais afetadas pelo problema da falsificação. Pode-se dizer que elas são vítimas do próprio sucesso, já que a busca por produtos mais baratos e que ostentem a identidade de marcas reconhecidas são os preferidos. 

Um caso emblemático aconteceu com o triatleta britânico Matt Philips, que comprou pela internet um conjunto de guidões, supostamente da FSA, por um preço mais barato que o normal. Em uma das primeiras utilizações, durante uma prova de mountain bike, as barras deixaram de ser controladas e se partiram em três. O resultado: um pulso fraturado e várias escoriações. 

Ao enviar o produto para análise da FSA, em busca de uma explicação para o ocorrido, a empresa verificou que o ciclista foi vítima de uma falsificação grosseira. O caso foi tema de destaque, inclusive, de um documentário da rede BBC

Por sorte dos atletas, por enquanto, as falsificações dificilmente chegam a itens de fabricação mais complexa, como rodas, suspensões e alguns grupos (freios, cubos, câmbios de marcha). Esses, ao contrário de outros acessórios para bicicleta, dependem de uma tecnologia mais sofisticada para serem fabricados. 

Riscos à saúde

Apesar dos casos graves, como o dos guidões que se partiram, alguns outros itens que parecem mais inofensivos, como os acessórios e roupas, também apresentam grande risco a longo prazo. 

No caso de tênis e sapatilhas para pedalar, por exemplo, lesões podem aparecer com meses ou anos de utilização. Joelhos, tornozelos e até a coluna podem ser afetados por esses produtos que prometem, mas não cumprem, o amortecimento necessário para os impactos e pressões sofridos. 

Pagar mais barato por um óculos de sol e proteção também pode custar mais caro do que não utilizá-los. Lentes que não bloqueiam de verdade os raios UVA e UVB simplesmente servem para filtrar a luz do ambiente e não protegem os seus olhos. Com as atividades ao ar livre, podem aumentar os riscos de catarata, melanoma ocular e degeneração macular. 

Item fundamental na prática do ciclismo, o capacete, por incrível que pareça, também é alvo de falsificação. Apesar dos layouts quase idênticos aos originais, diversos “genéricos” de baixa qualidade e com materiais não resistentes invadiram o mercado e colocam em risco a vida de quem os utiliza. 

Acessórios como as luvas, importantes aliadas para a segurança do atleta, também devem ser objetivos de atenção. Itens vendidos na internet por preços abaixo da tabela revelam produtos de procedência e qualidade duvidosas, que não garantirão a segurança e a absorção de impacto esperadas. 

Identificação de um produto falsificado 

Com as falsificações cada vez mais precisas, pode ser uma tarefa difícil identificar um produto não original para sua bicicleta. 

O primeiro passo para não ter problemas com isso é identificar a procedência do material. Acessórios para bicicleta originais são vendidos em lojas autorizadas e reconhecidas. No caso de importados, basta acessar o site da marca em questão para conferir se aquele estabelecimento é um autorizado no Brasil. 

O preço, é claro, é outra pista importante para identificar um produto oficial. Por mais que seja tentador, não existe um grande milagre que faça um produto ser oferecido por menos da metade do seu preço, principalmente se for de outro país. Faça uma pesquisa e veja por quanto os concorrentes oferecem o mesmo item: se o preço for muito diferente, desconfie!

Outra dica é verificar detalhes de pintura, acabamento, grafismo e adesivos. Saber se uma inscrição é feita em alto ou baixo relevo também pode garantir menos erros na hora de comprar uma peça ou acessório.

Alguns itens, como quadros, chegam a sair de fábrica com número de série único. Com isso, há a possibilidade de conferir com o fabricante se o registro bate com o lote e o ano de fabricação.

E você? Já teve alguma experiência com acessórios para bicicleta falsificados e só descobriu depois? Compartilhe sua história aqui nos comentários e troque ideias com outros ciclistas.